O TRATADO

28 Janeiro, 2006

Corrupção no BRICs


No dia 24 de Janeiro a Transparência Internacional lançou um relatório que divulga que a corrupção no BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) é muito grande sendo referente aos três últimos anos. Em uma escala de 0 a 10, sendo que o 10 é a melhor nota, o Brasil alcançou a nota 3,7, que anteriormente era 3,9. A Rússia que anteriormente tinha nota 2,7 foi um dos que apresentou a maior queda com 2,4. A situação da China também piorou foi de 3,4 para 3,2. A Índia foi o que apresentou um leve melhora que passou de 2,8 para 2,9.

A queda do Brasil é uma realidade preocupante. Mostra que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva que havia posto como prioridade o combate à corrupção tem sido ineficiente. No entanto quando relatório da TI foi fechado, aproximadamente em Junho, não foram incluídos os recentes escândalos.

O BRICs segundo estudo elaborado por Dominic Wilson e Roopa Purushothaman, Dreaming with BRICs: The Path to 2050, iriam ocupar um papel de peso central no mercado internacional, e que teriam condições de aumentar o PIB até o ano de 2050. Já que os integrantes do grupo apresentaram um bom crescimento econômico superior ao de 2004 (exceto o Brasil). E participação do BRICs contribui para o crescimento global cerca de 30%, e sua participação no comércio mundial é por volta de 15% que é duas vezes mais que em 2001. Outro aspecto importante é que a participação do Brasil e da Índia vem aumentando nas negociações da OMC.

Johann Graf Lambsdorff que avalia os relatórios da TI dos últimos dez anos, acredita que o BRICs não será capaz de combater a corrupção. No entanto aponta que países em desenvolvimento estão conseguindo ter resultados positivos contra a corrupção, como Colômbia, Bulgária, Estônia e Tailândia que conseguiram notas melhores no relatório.

Com esse quadro da corrupção mundial podemos ter ainda alguma esperança de que podemos reverter a situação. Agora vêm as eleições para presidência e espera-se que os futuros ministros sejam mais éticos, e possa combater de fato as fraudes, enfim a nota do país aumentar, pelo menos aproximar se da nota 5 no relatório. Que nossos políticos se inspirem nos governos da Islândia, Finlândia, Nova Zelândia, Dinamarca, Cingapura e Suécia que tivera as melhores notas no relatório da transparência (9,7 a 9,2).

Links Relacionados:
Transparency International
BBC Brasil
FIERGS

26 Janeiro, 2006

Das guerrilhas às passarelas


Ernesto ‘Che’ Guevara, depois que morreu em combate transformou-se em um ícone, um símbolo que passava a idéia de luta e resistência. Nas manifestações, em movimentos de cunhos ideológicos e de liberdade, em atos de resistência pública, ao se levantar uma bandeira com o rosto do Che é com se representasse todo o sentimento de liberdade, esperança e luta, num único símbolo.

Porém a máquina do capitalismo insaciável usurpa o rosto de Ernesto, transformando em estampas de blusas, bonés, chaveiros e cadernos. Usar uma blusa com uma imagem de Che tornou-se fashion, virou moda. E tudo o que representava está agora por terra. Che tornou se Mickey Mouse, e tornou se produto, em consumo, gerando capital para os poderosos, agravando ainda mais a pobreza entre os homens e a mesquinharia entre eles.

São Giseles e tantas outras top models, que desfilam com a face Guevara com purpurinas nas passarelas, mas será que sabem ao menos quem foi? Está por terra. Não vale mais a pena vestir essa camisa. Sorte dos que acreditam que não se é necessário uma bandeira, um ícones, símbolos ou hinos para se lutar pela igualdade social, por condições menos opressivas com as que capitalismo proporciona. Agora crêem, vai se o símbolo e fica a consciência, pois ela o capitalismo sanguinário não pode roubar. "Hasta la vitória, siempre!"

23 Janeiro, 2006

MTV – Manipulation Television


A Mtv tornou-se um ícone, para muitos pré-adolescentes, adolescentes e pós-adolescentes. A forma de se manter se informado sobre a banda favorita, e ver os vídeos clipes ‘do momento’.
E ainda tem aquelas vinhetas coloridas, pulsante, com sons distorcidos, e completamente sem sentido e lógica algum.
Apresentadores sempre com roupas atrativas, fundos de croma com animações tremidas, e usando linguagem jovial, gírias, e muita eloqüência.

A Mtv torna-se muito atrativa quase que hipnotizante com essas vinhetas. Com certeza você deve se achar um retardado por não compreender nada, ou ainda pensar que por não entender mesmo julgar aquilo como cult. Interessante ressaltar que as Casas Bahia, um grande estabelecimento de venda, fez exclusivamente para a Mtv propagandas no mesmo estilo das vinhetas. E ao terminar o programa mostram a marca das roupas que os apresentadores vestem, será que é o capitalismo? Será que forças ocultas do capitalismo estão entrelaçadas nas pulsantes vinhetas da Mtv?

A resposta é: possivelmente. É visível que os EUA são contemporaneamente a nação mais capitalista.

Analisemos então outro fator, da onde vem a maioria dos grupos e bandas que tocam na Mtv? EUA, a maquina fonográfica vem de lá. Talvez por isso não vemos clipes de bandas de hardcore nigérianas, ou bandas de Heavy Metal Russas, e não ouvimos o pop de grupos mongóis, ou mesmo o grupos punks do Ucrânia, a surf music do Sudão. Bem, não estamos em tempos de globalização?

E os apresentadores vêm sempre com opiniões formadas, sobre posturas sexuais, moda, drogas, e às vezes com criticas as religiões, política e outras coisas. Já vem pronto e embalado da redação da Mtv. Quem sabe o que se passa na mente dos telespectadores, será que em suas mentes tudo que é dito vem sendo aceito, massacrando sua faculdade de formação de opinião, de raciocinar?

Será que ainda tem mais? Será que o capitalismo não tem limites, não quer que tenhamos nossa liberdade de ouvir, ver, ler, e vestir o que quiser? Quando enfim a tv será desligada, e abriremos a janela, jogaremos a lata de coca-cola no lixo e vamos ser livres?

08 Janeiro, 2006

Sobre Vegetarianismo


Ser vegetariano é muito mais que uma postura saudável, é também uma atitude ideológica a sociedade ocidental, que tem sua cultura do consumo da carne enraizado na sua cultura vinda diretamente de povos vindos de regiões áridas, onde é mais difícil encontrar outras fontes de alimento. E desde então se tornou comum o consumo de animais, o que é muito bem compreensível. Com abundancias em vegetais, legumes, grãos e frutas, outras sociedades não necessitavam da matança de outros seres para sobrevivência.

Apesar de ser comprovado ser mais saudável o ato de ser vegetariano, é ideológico por ser contra a matança indiscriminada de outros esses. Esse costume ainda é muito forte, já que isso está tão profundamente entrelaçado na cultura judaico-cristã, que o ocidente e parte do mundo se encontram. Caso você tenha optado por essa opção vegetariana, com certeza já teve ter ouvindo frases como essas: “Mas nem uma carninha?”, “Nem de vez em quando um bifinho?” ou “Você não come nada então?” e outras do gênero. Isso é a prova concreta deste costume arraigado, não os culpem por isso.

A ideologia do vegetarianismo é trazer uma melhora a saúde (ainda mais nesse tempo onde são grandes os casos de doenças de vaca-louca e a gripe aviaria) e evitar a matança desnecessária de animais, não só para o mercado alimentício, como também de cosméticos (experiências) e vestuário (casacos de pele, ect.). Além disso, trazer uma nova luz a consciência da sociedade cujo consumo da carne é por décadas inveteradas. Proteger nosso ambiente da extinção de animais, manterem o equilíbrio ecológico. Ainda mais que eles não tenham quem os defendam do homem.

Por fim, a opção é sua. Ou se mantenha encoberto pelas raízes, ou veja o que tem na luz.

04 Janeiro, 2006

Sobre Esperança


Provavelmente já tenha observado que há inúmeros contos mitológicos, histórias e contos que falam sobre a esperança. O exemplo mais intenso é o da caixa de pandora. Onde Pandora é enviada por Júpiter, como o intuito de agradar o homem, entregando junto uma caixa na qual cada um dos Deuses colocou um bem (há também versão onde colocam maldições). Pandora abre a caixa e os bens fogem e só resta a esperança na caixa. Talvez você não acredite nesse mito, mas não pode dizer que esteja absolutamente errado ou equivocado.

Desde muito tempo o homem assim como atualmente, necessita da esperança para poder lidar com os problemas da vida, das misérias, dos desconfortos que encontra na sua vida. Em qualquer ação que fazemos, concentramos nossa esperança de que o resultado seja satisfatório. Somos seres esperantistas (se é que esse vocábulo existe), pois e cada ação, decisão, e atitude que colocamos nossa esperança, o sentimento mais sutil.

Esperança vem de ‘espera’, e quem espera, espera algo. Se formos mesmo seres ‘esperantistas’ como afirmei acima, então o que esperamos? Possivelmente vocês esperam que eu de uma resposta, e confesso que tenho a esperança de encontrar.

02 Janeiro, 2006

Sobre Insônia


Quem Sabe você possa me entender? Já sentiu algum impulso de escrever, de se expressar, daquelas que tira até o sono. No entanto não sabe ao certo o que dizer. Um impulso tão forte que o faz acender a luz do quarto em busca de uma caneta e papel somente para rabiscar algumas letras.

Talvez isso não seja muito comum. Pode ser uma espécie de síndrome. Síndrome da necessidade de escrever. Tentar por para o externo o que o corroí seu interior, buscando o alivio de uma noite tranqüila, por a cabeça no travesseiro e dormir em paz.

Fica buscando as idéias na mente e escreve. Vem à crise, o que continuar escrevendo. Ultrapassando essa árdua etapa com êxito vem o momento cuja caneta fica sem ação, e a cabeça agitada pensando como concluir o texto. E as idéias vão e vem, e na hora de escrever some, a madrugada vai avançando.

Enfim, encontra as melhores palavras e dá uma satisfatória conclusão, que parece como um golpe falta contra o inimigo, esse impulso incontrolável que o fez começar tudo isso. A sensação de dar o ponto final de todo o texto é a mesma de um sedento tomando depois de um longo tempo um copo d’água. Depois lê o que fora escrito cuidadosamente, e furiosamente amassa a folha e joga no lixo. E põe a cabeça tranqüila no travesseiro.

01 Janeiro, 2006

Pequeno tratado sobre o Tempo


A caminho da festa do réveillon no Rio de Janeiro, fiquei pensando no que a virada do ano significa para nós, assim como Natal tem seu significado, e muitas outras datas também possuem seus significados. Será que vai mais além do que a mudança de um algarismo do nosso calendário judaico-cristão?

Primeiro pensei no seguinte, que o dia 1° de Janeiro é o dia mundial da paz. Entretanto, quem lembra disso? Ao menos nunca vi, e nem presenciei nada onde houvesse escrito ou dito sobre o dia mundial da paz, ou algo do gênero. Pessoalmente creio que ninguém venha a comemorar isso.

O que comemoramos então no réveillon? O que concluir ser mais lógico é o tempo. Festejamos o dia do tempo. O tempo que tanto nos pressiona no dia-a-dia, nos corre-corre diário, que nos faz envelhecer a cada novo dia. O mesmo tempo que corroí figas de aço, que apodrece a maça no cesto, que transforma a criança em homem, e o homem em velho. E com ele vem a doença e a morte que tanto os humanos temem.

Um aspecto importante que expressa que o tempo é o grande protagonista da festa, são os olhares apreensivos nos relógios para ver o quanto tempo ainda resta, é a fatídica contagem regressiva. É no mínimo curioso comemorar o tempo, o grande inimigo da sociedade capitalista, cujo tentam sempre alcançar esse hábil corredor.