O TRATADO

25 Março, 2006

Como se um não bastasse...


A Câmara essa semana a lei que aprova o carnaval fora de época no calendário da prefeitura do Rio de Janeiro. Que se realizara no Sambódromo,do mesmo modo do tradicional. Alegam que assim poderiam atrair turista com mais eventos na cidade. No entanto essa lei poderá ser vetada pelo prefeito César Maia.

Em minha opinião, isso nem era para ser votado em Câmara se querem saber. Posso parecer radical, mais outro carnaval é um absurdo! Querem passar o que com isso, que somos a “Cidade Maravilhosa”, a cidade dos prazeres, de belas mulheres, samba, e de mulatas rebolando? Não sei você meu fiel leitor, que lê nem seja um só artigo que escrevo, sabe que na década de 50, a década de ouro do Rio, havia (assim como hoje) um altíssimo índice de assassinatos. Essa idéia de “Cidade Maravilhosa”, “A Terra da Alegria” não passa de uma mera especulação imobiliária de prédios a beira-mar.

Outra coisa é ressaltar a falta de cultura do vereador Dionísio Lins, autor desta lei. Será que ele já percebeu que o carnaval ocorre 40 dias antes da semana santa? Acredito que outro carnaval, no mesmo molde não poderia haver, muito menos com o nome ‘carnaval’. Para que haja esse ‘carnaval’ deve consultar primeiro a Igreja. Investiguem a origem do carnaval e observem com seus olhos porque o carnaval é antes da semana santa e não depois. Ou acabem com essa lei ridícula ou se faz outro evento que não seja o carnaval.

Outros artigos:
E o povo ainda faz carnaval...
Deus é brasileiro?
Eleições 2006, e agora?

22 Março, 2006

Telefone celular


Deve fazer mais de uma década ou mais que o existe os parelhos celulares. No início era para poucos ter aqueles ‘tijolos telefônicos’, mas hoje, eles foram se modernizando. Perdeu tamanho e ficaram mais finos e leves. E ainda começaram a ganhar atributos, começaram a ter toques polifônicos, depois toquem com músicas em formato MP3. Além de telefones se transformaram em máquinas fotográficas, e outros mais modernos em Walkmans e MP3 players. Transformaram se também em sonhos de consumo, na necessidade social básica ter um destes celulares que tire foto e que toque música.

A primeira crítica é, do que adianta um telefone cheio de acessórios se a bateria não agüenta muito tempo? Por exemplo, você está numa festa e tira tanta foto que quando recebe uma ligação importante não tem energia suficiente. Ouve tanto as MP3, que quando alguém te liga, descarrega a bateria. De que adianta o três em um? Justamente o momento em que o celular entra em cena para mostrar a que veio ao mundo, não funciona.

Se analisar de um ponto de vista mais crítico ao consumismo, vemos que é apenas um mero atrativo, para que pessoas tenham como sonho de consumo, prontos a pagar fortuna por um aparelho telefônico com tanto acessórios. Pra quê tanto? De um aparelho de comunicação, torna-se um instrumente de entretenimento. Como o capitalismo, tem esse poder de transformar tudo. É impressionante, chega a assustar. Veja o quando ele já mudou a sua consciência.

18 Março, 2006

Enxugando o gelo


Por gentileza, alguém poderia me explicar em que mundo nós vivemos? O mundo é isso mesmo, um filme nonsense, onde enxugam gelo? É?

Recentemente o EUA lançou para seus soldados de ocupação do Iraque, um vídeo-game para treinar-los gestos e lidar com o outro. Aprender que o outro é diferente e deve ser respeitado por um vídeo-game! Isso é sério, não estou brincando. Quem viu o filme de Michel Moore tem uma idéia de quem são e como são esses soldados. Alienados, alucinados por Heavy-Metal nos tanques de guerra, bombardeando casas civis, hospitais, creches, ect.

No topo da cadeia está a ganância humana, e devorando outros homens. Isso tem muitos nomes, autofagia, genocídio, homicídio são alguns exemplos.

BNegão - 'Exugando Gelo' e 'O Processo'. Pra Download.

16 Março, 2006

Manifestação contra a Farra do Boi em Santa Catarina


Ontem dia 15 de Março, frente ao Teatro Municipal ocorreu uma manifestação contra a Farra do Boi, onde manifestantes de várias ONGs (como a WSPA), e ativistas independentes recolhiam assinaturas para o baixo-assinado repudiando a Farra, e conscientizavam transeuntes das atrocidades, e crueldades praticados a estes animais. Também manifestantes exibiam faixas para os motoristas para que tomos tomem ciência do que ocorre no litoral catarinense. Mais de 3 mil assinaturas foram recolhidas. Alguma foto da manifestação estará divulgada no meu Fotolog (16-3-06 à 1-4-06).

Sendo que em 97 foi considerado um ato cruel a Farra do Boi pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em 98, a Farra foi criminalizada diante a Lei de Crimes Ambientais 9605/98. Mas mesmo assim continuou, e isso está registrado pela mídia. Prefeitos, vereadores, e empresários da das regiões de alguma forma estão envolvidos ou são coniventes com a Farra. Afrontam as leis brasileiras e o STF.

Manifeste-se também, ajuda que a lei seja comprida. Mande e-mail para o Governador, pressione-o. Não se esquece que estamos num ano eleitoral.

Alguns artigos relacionado:
Manifestações Contra Matança de Animais na China
Sobre Vegetarianismo
A culpa é de quem?
Cyberativismo

13 Março, 2006

A culpa é de quem?


Não traz nada de novo dizer que coexistimos com a violência, faz parte de nossas vidas como algo natural e inerente dos homens. Quando passam por moradores de ruas, crianças subnutridas, procurando em lixo alimentos pútridos, e cheirando cola, os menos acostumados, os sensíveis, assim como inocentes crianças fecham seus olhos, tentado de fugir da realidade cruel do degradante sistema que nos rege. “O que os olhos não vê o coração não sente.”

Essa semana quando voltava para casa a caminho do ponto de ônibus na Presidente Vargas, presenciei uma perseguição, onde a vítima do assalto tentava capturar o furtador. Num dado momento esse ladrão passou perto de mim, quando ainda estava preste a atravessar o sinal, em minha cabeça percorreu a idéia de ajudar a vítima dando uma rasteira no ladrão. Tanto ele quanto eu, como qualquer um de nós somos vítimas da violência urbana. Em meio aquela correria surgiram outras pessoas correndo (poucas), e na minha direção vinha um outro elemento correndo, que na minha inteligência era para ajudar seu ‘amigo’, talvez. Não entendi bem, e a única atitude que tomei na hora foi sair dali. Mas à frente a perseguição ainda continava dessa vez entre os veículos que passavam.

Dentro do ônibus fiquei pensando comigo porque não o ajudei? Sei o quando é ruim ser roubado, e porque não tomei nenhuma atitude? Por quê? E porque ninguém de fato o ajudou? Atrevo nesse instante traduzir o pensamento da sociedade na qual me incluo: No momento deste, como de qualquer outro assalto, sabemos que a culpa é toda nossa, criamos isso, somos culpados. Somos os que consumimos entorpecentes das mãos de traficantes. Nos que viramos a cara e fechamos os olhos para outro ser humano que não tem o de comer, e onde dormir. Nos mesmos que nas eleições votamos contra nossa vida, elegendo corruptos, porcos capitalistas, sanguessugas do poder público. Dói apertar o calo.

Agora pergunto: Quantos de vocês já participaram de atos, manifestações exigindo seus direitos como cidadão? Talvez um, ou outro. Agora olhem para os que o cerca, sua família, seus vizinhos, o seu quarteirão quantos deles também já participaram? Posso adivinhar a resposta. Ainda não percebemos que somos nós, todos nós, juntos e unidos, que elegemos um candidato, veja o exemplo da eleição do Lula, e que todos juntos podemos derrubado-lo, veja o que fizemos com o Collor. Acordem! Acordem, e enfim teremos uma sociedade soberana e doravante rumo ao verdadeiro progresso. Não custa nada sonhar e mesmo acreditar, outro Brasil é possível.

11 Março, 2006

Apagou-se a última estrela: Uma análise de 'Um Sonhador'


No texto de Milton Hatoum, Um Sonhador, publicado na Folha de São Paulo no primeiro dia do ano de 2006. Pode-se facilmente perceber que Hatoum utiliza artifícios metafóricos a expressar a insatisfação com a conjuntura política e social nacional atual. “(…) mas elas reapareceram que nem vaga-lume: de surpresa e piscando pontos de luz na escuridão. (…)”. A citação dessas moças vaga-lumes, é uma metáfora a moças do projeto de mesmo nome “vaga-lume”, que trazem a literatura aos povoados onde “(…) de qualquer coisa se morre (…)” dando está pequena luz para enxergarem no escuro. Outro ponto metafórico, justo a política é: “No céu avermelhado apagou-se a última estrela (…)” estrela essa representa o símbolo do PT, “(…) ao mesmo tempo uma forma estranha riscou o horizonte. Era um voador bicudo, (…)” ao que biologicamente consta que o único voador com um pico mais saliente ao outros voadores é o Tucano. Tucano, o mascote do PSDB, e também a forma da qual se denomina os membros do mesmo. Curioso também quando o escritor diz que esse voador adentra a mata fechada ouve-se então gritos de animais, e logo em seguida urros de homens brigando, muito barulho, e muito semelhantes se comparar aos enormes escândalos que marcaram o ano de 2005, e essas brigas as CPIs.

Depois escutei umas gargalhadas de festim e vi a fila de votantes avançar devagar, com um andar de procissão. De repente, o silêncio: tudo ficou para paralisado. (…)”, pois agora se aproxima outro ano eleitoral. “(…) A voz fria e convincente disse: ‘não adianta votar... A decepção é maior do que a esperança’”. Depois da esperança em qual a nação se consolida em busca da sua esperança no que seria um espelho deles mesmo, e por fim se cai por terra na decepção. “(…) era a primeira manha do ano. Na memória do sonho ainda alternavam a traição sem remorso e a esperança (…)” neste ponto se dá de que tudo era um retrospecto da política e que agora em 2006 estamos no ano das eleições por isso a conclusão da frase: “(…) o destino do sonhador é duvidar...”.

O texto na integra:
UM SONHADOR
de Milton Hatoun


Aprendi a navegar no escuro antes de ler e escrever. Meu pai me ensinou a remar e a encontrar canal em época de vazante. Isso num tempo em que havia estações. Em setembro, os rios ficaram tão rasos que os peixes foram aprisionados em lagos que nunca foram lagos. Mortos. E um cheiro de cinzas no ar... Meus pais não viram esse céu de ferrugem que esconde o sol. Velhos, nem falavam mais no futuro... Agora aparecem juntos e enlaçados, assombrados que nem fantasmas. Dizem que no Sul os rios morreram há muito tempo, e que há guerra e flagelos nas grandes cidades. Por aqui, de qualquer coisa se morre, e até malária enterra crianças. Violência, doenças: quem pode desmentir seu próprio sofrimento?

Do Sul e da outra metade do país tenho notícias por umas moças que trazem palavras para o nosso povoado. Há poucos anos elas chegaram com caixas de livros e começaram a contar histórias para as crianças. Lembro que na nossa infância os mais velhos também contavam muitas histórias, mas desde que o último avô morreu, um silêncio misterioso fechou a boca de várias gerações.

As moças foram embora com a promessa de que voltariam. Os mais jovens duvidaram, mas elas reapareceram que nem vaga-lumes: de surpresa e piscando pontos de luz na escuridão. Nos meses de seca e escassez, quando as margens se confundiam com o leito do rio, os livros eram lidos em voz alta. As palavras não curam, mas são uma trégua no desamparo, melodia na solidão. Agora as crianças sonham as histórias que ouviram ou contam sonhos com as palavras que aprenderam a ler.

Lembrei das moças vaga-lumes porque ontem, dia da República, quis ser o primeiro a votar. Atravessava o estirão do Diabo à vara e a remo, e de repente uma voz surgiu na curva do riozinho da Liberdade, onde fica a seção eleitoral. A voz fria e convincente disse: "Não adianta votar... A decepção é maior do que a esperança".

Procurei em vão a origem da voz. Nas margens do riozinho a altura das palmeiras anunciava o amanhecer. No céu avermelhado apagou-se a última estrela. Quase ao mesmo tempo uma forma estranha riscou o horizonte. Era um voador bicudo, e grande demais para ser um morcego. Alcançou um descampado, foi atraído para as trevas da mata e se perdeu por lá. Uns animais guincharam e soltaram grunhidos estranhos. Ao longe, uma fila de vultos maltrapilhos crescia diante da seção eleitoral. Eu não conseguia sair do estirão: a canoa ficou cercada de peixes podres, folhas e galhos carbonizados. Pelejava para afastar esses dejetos, mas a curva do rio parecia inalcançável. Aos poucos, os grunhidos tornaram a ecoar no espaço, os sons aumentaram e pareciam urros de homens engalfinhados, como se disputassem um banquete. Lutavam na mata fechada: uma disputa das mais ferozes. Depois escutei umas gargalhadas de festim e vi a fila de votantes avançar devagar, com um andar de procissão. De repente, o silêncio: tudo ficou paralisado. Um estrondo apagou a curva do rio e outras visões.
O mesmo estrondo me acordou.

Era a primeira manhã do ano. Na memória do sonho ainda alternavam a traição sem remorso e a esperança. E logo me veio à mente uma frase que nunca esqueci: o destino do sonhador é duvidar...

06 Março, 2006

E o povo ainda faz carnaval...


O povo brasileiro é o povo mais alegre do mundo, por isso está sempre sorrindo, batucando em cada esquina, também pudera Deus é Brasileiro. É samba no pé, e bola rolando, o cheirinho do acarajé do tabuleiro da baiana, água de coco, mulheres bronzeadas à beira-mar, e ainda tem o melhor carnaval do mundo. Tem algo que descreveria melhor o povo brasileiro? Como brasileiro afirmo que tem. Todas essas afirmativas nada mais são do que o senso comum imposto. Quando nos descrevermos sempre usamos sempre estas frases prontas. Esse não é o Brasil e muito menos os brasileiros.

Se houvesse uma pesquisa profunda, acho que diagnosticaria que os brasucas, são deprimidos, muitos sofrem de síndrome do pânico. A cada esquina um perigo constante, de assalto, de assassinato, seqüestro, e estupro, é o estado de violências. A baiana como um ambulante qualquer vendendo seu produto como uma alternativa para fonte de renda, e ainda sofre o risco do material ser levado por fiscais. O trafico de drogas que faz poder paralelo ao poder legislativo. E ainda mulheres que prostituem a beira-mar para se ter o de comer. E ainda dizem que temos o melhor carnaval, e um futebol invejável.

Somos açoitados por políticos que usam o nome de Deus, ou mesmo que são vereadores e deputados de Jesus. E deve ser mesmo de Jesus, e não dos que são ameaçados pela violência, e pela desigualdade social. A visão de um menor cheirando cola é tão banal nas cidades que acostumamos, nem é noticia de jornal. São inúmeros moradores de rua, e milhares de desempregados. A educação pública é reconhecida pelos senhores ministros como fraca, e ineficiente, tanto que criaram sistemas de cotas para negros e estudantes de escolas públicas para terem acesso à universidade. E ainda falam de samba e futebol.

Em sua descoberta o Brasil sofreu extrativismo, e hoje o mesmo extrativismo acontece por políticos, e pessoas interessadas em sugar a custa da vida da nação. Ludibriados somos por falsos títulos de povo alegre e receptivo. Nosso carnaval hoje é uma autêntica trapaça, somente para trazer gringos para cair na graça do samba e da prostituição. I Love Tourists, na linguagem popularesca babamos o ovo deles. Acredito que somos muito mais que carnaval e futebol. Querem ver? Então dêem educação, comida, e dignidade para o povo, e deixe que essa gente bronzeada mostre seu valor.

Outros textos relacionados:
-Deus é Brasileiro?


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01 Março, 2006

Eu só quero é ser manipulado desde o dia que eu nasci

“eu só quero é ser feliz
andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é!
e poder me orgulhar
e ter a consciência que o pobre tem seu lugar, é demoro!”



Essa música é considerada um clássico para os gostam de Funk. Foi muito propagada na década de 90, tocou muito nas rádios, até hoje em bailes é tocada. Se a analisarmos de forma critica, não se é bom ou ruim musicalmente, mas a subversão, e a intenção maliciosa de manipulação que ela passa. “...e poder me orgulhar / e ter a consciência que o pobre tem seu lugar...” quer dizer, o pobre tem que a “consciência” de que como pobre ele tem o seu lugar, a favela, e ainda se orgulhar. Algo como, você (o pobre) não tem que pensar que um dia vai sair daí (da favela) e vai morar num apartamento, não, e ainda se orgulhe dessa posição.

Bem, talvez o compositor (?) não tem tido essa malevolência ao escrever-la. No entanto, a massa cefálica dos manipuladores, tenha visto essa música (como outras), não como uma dificuldade, mas como uma aliada na manobra oculta de alienação. Na verdade, não estou levantando isso com um afirmação, mas como um possibilidade, não muito distante. Acordem, todos! Não sejam inocentes e nem ignorantes, critiquem antes que sejam subjugados. Ou cantaram:

“eu só quero é feliz, feliz, feliz
e ser manipulado desde o dia em que eu nasci, é!
e poder me orgulhar
de ser ignorante e não sair do meu lugar, é demorou!”


"Acredite um pouco no que você vê, em nada do que lhe dizem."
Provérbio espanhol


Mais um charge em ritmo de carnaval!

Para ver outras charges do Machando, é só acessar: Spermograma.