O TRATADO

27 Maio, 2006

A coisas como ela são de perto, ou como sobreviver na cidade


Quero registrar aqui, para quando minha memória começar a se esvaíra, poder deleitar sobre tal fato ocorrido. Por ter passado algumas horas, e ainda por julgar o fato como uma cena de filme tragicômico. Senhores, se por acaso me empolgar, por favor, entendam, são ossos do oficio.

Havia saindo um pouco tarde da universidade, e por julgar a hora tarde e perigosa para se ficar de bobeira pelas ruas do centro, resolvi dar um pique até a Av. Presidente Vargas pagar o ônibus. No ponto muitos ônibus me servem. Peguei o primeiro que passou, no caso o 241, não sou de pegá-lo para voltar, no entanto como não queria ficar mais tempo ali, serviu.

Ao meu lado sentou um rapaz um tanto suspeito, ele parecia esconder algo por de baixo da mochila. Imaginei logo que poderia ser uma arma. Sabia que alguma coisa boa não ia acontecer nesse ônibus. Minha esperaça era que meu ponto logo chegasse.

Pela traseira, subiu um vendedor de amendoim e jujuba, que entregava para os passageiros com um bilhetinho agradecendo a Deus e informando o preço do produto: um real. Não podia ser diferente! Um passageiro a aproximadamente uns 2 ou 3 bancos à minha frente, começou a discutir com o vendedor. Aproveitei isso para começar um contato com o que possivelmente me assaltaria. Julguei isso uma forma de não ser assaltado, me sociabilizando. Mas quando ele tirou a mão por debaixo da bolsa vi que era um celular. O alivio foi completo!

A discussão começou entre o passageiro e o vendedor, Ainda mais quando o vendedor falou: “Ah é? Vamos pra mão então?” A tensão entre os passageiros aumentou com a discussão. As pessoas pediam calma. O rapaz que a pouco achei que ia me assaltar disse: “Tá parecendo aquele filme: Um Dia de Fúria.” E estava mesmo! O homem levandou e gritou para o vendedor de amendoins: “O senhor sabe o que tenho na bolsa?”

Paro só um segundo esta cena. “O senhor sabe o que tenho na bolsa?”, essa frase me remede ao fato peculiar em nossa sociedade um fenômeno: “O senhor sabe com quem está falando?” Na verdade a pessoa não é nada, mas para impor status superior inexistente, uma falsa autoridade e corre eloqüentemente a tal frase. Afinal quem quer mesmo descobrir quem tal pessoa é? No nosso caso, o que se tem na bolsa, num momento tenso desse.

Pela segunda vez o passageiro continuou seu blefe “O senhor sabe o que tenho na bolsa?” e vendedor chamando para mão. Algumas pessoas se levantaram para acalmar a situação. O homem gritava cada vez mais alto. Nos berros o sujeito estava literalmente ganhado a batalha contra o vendedor de amendoim. Num reflexo o vendedor pulou a roleta e pedia seus amendoins de lá. Passamos tudo para frente. Mesmo com vendedor saindo o homem ainda berrava como um animal preste a atacar furiosamente a presa.

Na rua, o vendedor pegou uma pedra para tacar no ônibus metade do ônibus jogou-se ao chão. Mas felizmente tal ato não aconteceu. O desespero continuava no ônibus, o homem ainda aos berros dessa vez com os passageiros. “Eu sou doente! Eu sofro dos Neuvo! Vocês estão me enchendo o saco! É em casa, no trabalho, aqui! #@%&!@*!!!”

Um outro passageiro tentava pedir para se o senhor se acalmar, e dizendo que o cara já saiu. Num estopim as mulheres que estavam na frente levantaram e fora para trás do ônibus aos gritos histéricos: “abre a porta!”, e “eu quero descer!”. Quando ouvi uma voz da frente falar: “O cara ta armado!” Blefe ou não, vendo ou não a arma, eu vou ficar no ônibus? Quando as portas de trás se abriram as pessoas desciam desesperadamente, um homem pulou caindo de costa nas escadas. Uma mulher nervosa batia no meu braço e me empurrava para fora. As pessoas saiam afoitas para fora no ônibus. Uma mulher chegou a cair indo a bolsa para um lado e os saltos a outros.

Do lado de fora, vi o homem que ainda pouco berrava histericamente, com um ladrão na noite, pulou a roleta e saiu do ônibus.

Felizmente não houve tiro, ninguém se feriu. No entanto cada vez mais vemos que estamos vivendo numa sociedade de pessoas doentes e perturbadas. Quero voltar para Nova Gokula!


Let's Talk About Sex? por Angeli

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24 Maio, 2006

Em rimo de Copa do Mundo, as coisas mudam, mas não para você


Desde muito não vejo as vésperas de Copa do Mundo tão apagada quanto está. Para ser franco, vejo umas aqui e acolá, mas não intensa como antes. Não sei ainda é cedo, mas nessa época as ruas já estavam pintadas de verde-amarelo, nas janelas bandeirinhas do Brasil, os muros pintados com temáticas da copa e bandeirinhas penduradas ao longo das ruas. Acredito que provavelmente muitas pessoas estejam travadas a tal ato por se sentirem pressionadas pela violência. Isso é um palpite.

Particularmente, não sou de vibrar tanto com a Copa. Acho supérfluo e não acrescenta nada. Francamente, uma perda de tempo! Não estou sendo contra o esporte, mas com a mídia e o dinheiro que muitos dos jogadores ganham. Muitos desses jogadores brasileiros não trazem investimento para o país, não trazem empregos, e nem lutam para a melhoria da situação social. Tentemos ver um exemplo:

João, um homem desempregado, mora em um pequeno barraco de dois cômodos, um quarto e uma cozinha. Para fazer suas necessidades fisiológicas vai até um buraco atrás de seu barraco. Eles mais seus quatro filhos, todos com camisas verde-amarelas, em frente a uma pequena televisão torcem pelo Brasil. Vibram com os passes, e gritam forte com o gol. Quando o Brasil chegam na final, seu João, elogia tanto a seleção com seus vizinhos, “Sem dúvida esse é a melhor seleção que o Brasil já teve! E vamos ser campeões!” Ele estava certo. O Brasil ganhou agora é penta! Mas seu João continua desempregado.

Como sempre, aqui no Brasil é bola pra frente.

Charge por Angeli

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A Ilusão do Súfrágio Universal - Mikhail Bakunin 11Kb (.pdf)

19 Maio, 2006

Panorama do caos e do ‘jeitinho’ político brasileiro do século XXI

Desculpe as palavras chulas aqui escritas. To cansado de tanta hipocrisia nesse país.



O panorama brasileiro está de mal a pior.

Internacionalmente temos um presidente humilhado pelos “amigos”. Falando mui francamente, o Lula parece uma personagem do Nelson Rodrigues, e Morales o cafetão. Lula passa a mão na cabeça da Bolívia, – “Coitadinhos! Eles estão desesperados”. Mas carinhoso e mais cheio de amor p’ra dar que o Lula, nem uma prostituta da Vila Mimosa tem! E mesmo com tanto carinho ainda assim leva na cara do Morales. – “Me xinga! Me dá na cara!”, como coloca Aurora na peça “Os Sete Gatinhos” escrita por Nelson.

Além de um presidente masoquista, temos São Paulo, não o estado, mas os paulistanos sofrendo graças à má, corrupta e inescrupulosa gestão. Para esses corruptos o dinheiro é tão importante que a segurança pública fica p’ra trás. O PCC dominou, fechou a cidade – “Nada deu errado!”.

Tantas CPIs, tanto escândalo. A vergonha é tanta!

Sei que a ditadura acabou, mas, por gentileza, me exilem! Não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Não sou daqui, não posso ser. Como posso ser de um país assim? “AME-O DEIXE-O”, eu deixo-o, e você? Desculpe. Foi um desabafo! Ou se deixa o país, ou se derruba a hipocrisia e a desonestidade. Não podemos mudar para pior, como vem se fazendo desde que o homem é homem.


Malvados de Andre Dahmer

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Para baixar:
A Constituição Federal atualizada em 95 - 852 KB (.PDF)

15 Maio, 2006

Guerrilha urbana debaixo das janelas


O Estado perdeu o controle da situação. São os bandidos que estão agora dominando fazendo suas leis e justiça. Policias, homens de proteção do estado, são alvos dos narco-guerrilheiros. Em São Paulo, quem está mandando na rua é o PCC. Em quando isso, nossos homens da política trocam e transferem a culpa para a situação. E nada é feito.

Não entendo porque nenhum órgão governamental compreende, ou omite que estamos passando por uma guerra civil. Já não são traficantes, mas sim, verdadeiros guerrilheiros, algumas vezes apoiados por moradores das comunidades de baixa renda, que vêem eles com mais ou menos uma espécie de justiça. São descrentes na justiça parlamentar e abandonados por políticos, sentem na pele o menosprezo por serem desprovidos de dinheiro.

Desse confronto o que se perde é a vida de ambos os lados. Temos seres humanos que por um dever tem que a riscar sua vida para levar comida para família, de um lado. Do outro, seres humanos desesperados por viverem em situação de abandono e de humilhação, que entram algumas vezes no narcotráfico para trazer dinheiro para familiares e próximos. Entre esses dois lados, esta a população que sofre pressão de ambos os lados. O medo é constante e está em cada esquina. Já não se pode contar chegar vivo em casa. Acima de todos estão os maléficos políticos corruptos, verdadeiros sanguessugas do poder público. Não se importam com o estado da vida urbana. Estão intactos e suas economias em paraísos fiscais.

Temos que mudar está situação de vez! São esses pútridos que temos que oprimir! Temos o voto para isso. Não nos iludiremos agora com a Copa do Mundo. Façamos o esforço de distinguir que a seleção brasileira não é o governo brasileiro. Não seremos felizes se o Brasil ganhar a Copa. Não se iluda!

Charge por Machado

08 Maio, 2006

Do automóvel


Nos EUA o welfare state teve um papel importante para o crescimento econômico do país. Como por exemplo, a criação de auto-estradas que ligam os subúrbios aos grandes centros industriais diminuindo o tempo entre eles. Fábricas como a Ford fabricavam automóveis em massa para a família americana, que até então não consumiam. Aumentando o número de consumidores. Campanhas publicitárias são criadas estimulando que os jovens necessitem de carro para saírem com suas namoradas. Um rapaz só conseguia uma moça se tivesse um carro. É impressionante o número de jovem que perdiam suas virgindades no carro. O carro passa de um meio de transporte para um grau de status social.

Isso foi na década de 40, e no início do século XXI temos essa necessidade de se ter um automóvel perseverante na sociedade. A necessidade de se ter um carro com um status foi importado dos EUA para outros paises anexo.

Será que temos de fato a necessidade de ter um? Ele é de suma importância? Infelizmente, para essa sociedade impostamente capitalista a utilização do automóvel. O capital exige velocidade ‘time is money’. Mas também digo que um carro é simplesmente um carro. Isto é, o carro do ano é tecnicamente igual a qualquer outro, com acessórios diferentes uma carcaça moderna, mas ele continua e continuará a ser um carro com qualquer outro. Continua ter quatro rodas de borracha extraída por seringueiros na Amazônia; motor consumidor de combustível que lança CA² na camada atmosférica; e, carcaça de metal extraída com muito esforço por homens em algum buraco na terra.

Como gostaria de apresentar uma alternativa menos poluente, e menos capitalista. Bem, ao menos temos alternativas como a bicicleta, também conhecida com bike, camelo, magrela, e vária a cultura e região. É um meio de transporte barato, não poluente e proporcionaria exercício e saúde aos seus usuários. Cruelmente o que ocorre para que tal transporte não veja a ser utilizado, e a distancia criada entre os centros econômicos imprecativos das moradias. Desta maneira há de se consumir um carro, tanto para ir ao trabalho, quanto para sair com a namorada, para se ir a qualquer lugar mesmo que seja na esquina. E ainda necessitará consumir, sim, consumir a palavrinha mágica do capitalismo, gasolina. Lembrem-se, ou pesquisem no google como a gasolina é extraída, vai ser um ótimo exercício.

Assim como essa cultura automobilística nos foi imposta espero, talvez um dia venha haver uma mudança para um meio de transporte que não engendre tanto o capitalismo.

Charge por Machado.

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A Terrível História do Garoto Que Tinha Pêlos nas Mãos

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