Dedicado à Radha Madana Gopala Devi Dasi e Áurea Cristina, e para o pessoal de Salvador.
Dedico também ao Renato Bacon.

Voltava para casa de ônibus. Olhava as ruas escuras e para transeuntes, casas e carros, através da janela perdido em meus pensamentos. Os olhos vagando para tudo, no entanto, nada vendo. Era sábado, havia certa de seis, talvez oitos pessoas dentro do ônibus, o silêncio só não era maior pelo barulho do motor.
Num semáforo, ouvi um barulho de tambor advindo do outro lado da rua. Era de uma pequena casa, com a janela aberta. Dela dava para ver uma imagem de Jesus Cristo, em pé vestido de branco, ao lado parecia ser uma imagem de Nossa Senhora, ou de Maria Madalena, e algumas flores enfeitando. Uma senhora parecia estar recebendo um santo, logo em seguida um homem levantar, parecia está dando algum passe em alguém. Pela batida do tambor logo deduzi ser um terreiro. Confirmei quando vi um placa acima da porta, e atrás da grade da casa um fila de mulheres tentando entrar na casa.
Abaixo da janela, na calçada dois homens, que pelo julgar da roupa e seus adereços pareciam entregadores. Dançavam passos típicos do Umbanda, e do Candomblé. Por um momento perpassou em minha mente que estavam se divertindo. Suas frontes estavam sérias, como que sem expressão alguma.
- Jesus tirou Lúcifer do céu e jogou ela na terra! – Disse o cobrador.
- Meu pai eterno! Abaixou um santo nos garotos! - Falou um dos passageiros que estavam na frente.
- Foram ficar ali de curiosos o santo desceu. Jesus! Maria! José! – Retrucou o cobrador pasmo.
O motorista abriu a porta e desceu do ônibus. E começo a dançar com os rapazes. Sem expressão na face.
- Ave Maria! Pai nosso que está no céu santificado seja vosso... – Rezava uma senhora próximo de mim.
- Tira o santo do motorista! Eu quero voltar para casa! Vai lá trocador. Dá umas porradas no motorista. Eu to com presa! – Gritou um homem nos funtos.
O cobrador fez o sinal da cruz. Olhou seu companheiro de trabalho, e para o passageiro do fundo. Novamente vez o sinal da cruz. E finalmente falou:
- Ta maluco? Eu tenho medo dessas coisas. Eu sou crente!
- É só da na cara do motorista. Deixa que eu faço isso.
E o homem desceu do ônibus e deu um tapa na cara do motorista.
- Vós micê tem que dá fumo, se não lho no subu. Lho quero fumo!
Uma garota, nova, chegou na janela e perguntou:
- O que você quer fuma? Maconha? Cigarro?
- Lho quero fumo. Se não num subu. Tem fumo?
Pacientemente abriu sua mochila e começou a procurar. A senhora continuava a rezar o Pai Nosso, Ave Maria, emendando com o Credo. A garota pegou um maço tirou um cigarro e acendeu, e passou para o homem.
- Toma seu fumo! Sobe logo que quero voltar logo para casa.
- Que voutá pá casa! Mas micê ta cum proprema! Lho digo pá pó um saco de alho nas carsas, que vos micê vai sisintir meor!
E o santo no corpo do trocador começou a fumar.
- É. Esse fume é mequetrefe!
- “Mequetrefe” uma ova! É oliú.
Como não poderia faltar...
Charges por Angeli

Clique na imagem para aumentar.